quarta-feira, 3 de maio de 2017

CONSTRUÇÃO DO CAIS DO PORTO DE CAMOCIM


Solenidade de lançamento da pedra fundamental do Cais do Porto de Camocim.
Setembro de 1959. Fonte: AVAP. FGV/CPDOC.
Desde os tempos imperiais que o Porto de Camocim é objeto de discussão nos jornais e relatórios governamentais. Situações como o alfandegamento, as dragagens e aparelhamento do mesmo são constantes neste papéis. No entanto, a execução de tais obras se arrastaram com o tempo, merecendo apenas paliativos. Para termos uma ideia dessa morosidade, desde os anos 1930 que estas melhorias eram prometidas pelos sucessivos governos federais, visto que a obra seria de responsabilidade da União.

Da Ditadura Vargas ficaram os estudos de viabilidade e algumas tentativas de dragagem. Com a vinda do candidato à Presidente da República Juscelino Kubitschek as promessas foram renovadas. Com efeito, já no final de seu governo foi lançada a pedra fundamental da construção do Cais do Porto como mostram as fotografias (inéditas no blog) do Acervo de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha de Getúlio Vargas e esposa do então Ministro de Viação e Obras Públicas, Ernani do Amaral Peixoto. Em 1959, o então ministro fez uma visita ao Ceará onde inaugurou obras, lançou outras, almoçou com trabalhadores e beijou crianças. No Ceará, ele esteve em Fortaleza, inaugurando melhorias no Porto do Mucuripe e em Camocim, onde foi recebido com muita festa, como podemos perceber da multidão que comparece ao cais com representações escolares, de trabalhadores e da sociedade civil organizada, além de políticos, como o deputado estadual Murilo Rocha Aguiar (foto abaixo, em primeiro plano, o quinto da esquerda para a direita, careca, de terno preto).
Ministro da Obras e Viação Pública, Ernani Peixoto do Amaral (primeiro da esquerda para a direita, de óculos e terno branco). Solenidade de lançamento da pedra fundamental do Cais do Porto de Camocim. Setembro de 1959. Fonte: AVAP. FVG/CPDOC.
Apesar de ter começado em 1959, as obras do Cais do Porto de Camocim em 1961 se arrastavam "tartarugamente", como assinalou o jornalista Fernando Pessoa no jornal A Noite em junho daquele ano. Segundo o articulista, o então candidato à presidente Jânio Quadros, prometera de cima de um "jeep" do Padre Palhano em Sobral, "incentivar as obras do Porto de Camocim", por conhecer a "necessidade de atender a esses melhoramentos, por tratar-se de um porto bem abrigado e de significação para toda a zona norte, não só do Estado do Ceará como do Piauí". Palavras jogadas ao vento! Com efeito, somente ao final deste ano, quando o Ministro da Viação e Obras Públicas era Virgílio Távora, guindado à esta condição quando do governo parlamentarista do Primeiro Ministro Tancredo Neves foi que as obras do Porto de Camocim e Mucuripe tiveram alguma aceleração.

Fontes:

http://camocimpotedehistorias.blogspot.com.br

Acervo Alzira Vargas do Amaral Peixoto. FGV/CPDOC.
Jornal A Noite. ed. 15751, 10 de junho de 1961, p.4.

GURIÚ - CAMOCIM - HISTÓRICO



Em 2017, o distrito de Guriú completou 127 anos, sendo o mais antigo da municipalidade, criado pelo Ato Administrativo de 11/02/1890.
No entanto, mesmo antes de Camocim ser elevado à município, os jornais dão conta da existência do lugar GURIHÚ (grafia da época), pelo uso do seu porto. Deste modo, em 1873 era uma sub-capatazia, cujo sub-capataz era o Sr. José de Araújo.
Dez anos depois, em 12 de fevereiro de 1883, Guriú é notícia novamente, por conta do naufrágio da barca "Celide R.", encontrada pelo administrador da Mesa de Rendas de Camocim "sentado na areia com o porão cheio d'água e o carregamento mergulhado [...] e abandonado pela tripulação. [...] Por ordem do Juiz de Commercio de Granja, o carregamento foi arrematado por 2:900$000". A denúncia era de que tal procedimento foi feito sem os devidos editais.
Em 12 de setembro de 1890, pouco mais de sete meses de criado, o distrito é elevado à categoria de Distrito Policial (ou de Paz), cujos sub-delegados e suplentes nomeados foram os senhores, Manoel Joaquim Ferreira, Domingos José Dourado, João Antônio da Silva e Antônio Marques de Souza.
A população do distrito em 1891, um ano após sua criação apresentava o total de 581 pessoas. Destas, 298 eram homens e 283 mulheres. Dos homens, 38 sabiam ler e escrever e apenas 6 mulheres eram alfabetizadas.
Já no século XX, em 1901, a sub-capatazia era da responsabilidade do Sr. Estevam Louzada. Em 1911, o Capitão Joaquim Marques dos Santos, aparece como agente e correspondente local do jornal O Rebate, de Sobral.
Atualmente, o distrito se destaca pela atividade turística e da pesca artesanal.

FONTES:
http://camocimpotedehistorias.blogspot.com.br/
http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?codmun=230260
Jornal Gazeta do Norte. Fortaleza. 13;06/1883, nº 123, p.03.
 Jornal Libertador, Fortaleza, 12/09/1890, ed. 208, p.03.
Jornal Cearense, Fortaleza, 13/09/1890, ed.205, nº 205.
Jornal O Estado do Ceará. Fortaleza. 12/09/1890 e 12.05.1891
Almanaque Administrativo  p.45
O Rebate. nº 27, p.1. 21 de outubro de 1911. Sobral-CE
Almanaque Administrativo, p.375.

terça-feira, 31 de maio de 2016

AGENCIA DOS CORREIOS DE CAMOCIM


Agência dos Correios e Telégrafos de Camocim. 2012. Fonte: https://www.google.com.br/maps.

Em 1891, o agente dos Correios de Camocim ainda estava ligado à administração da Estrada de Ferro. No referido ano, foi nomeado para o exercício do cargo o Sr. Manoel Pinto Soares Brandão, conforme informa o jornal Estado do Ceará na edição 273, de 14 de julho de 1891, página 02. Somente no chamado "governo revolucionário de 1930" é que a atual agência foi construída como mostra uma pequena placa na sua fachada ainda preservada que diz: "Edifício construído pelo Governo Provisório. 1932".

No entanto, poucos sabem que as agências dos Correios foram construídas em todo o Brasil a partir de modelos padronizados, daí, algumas terem semelhanças arquitetônicas. No ano de 1933, a Revista Vida Doméstica apresenta estes modelos. A de Camocim é do: "Typo n.I padronizado - construído para as agências de Baturité, Camocim, Crato, Iguatu, Juazeiro (Ceará); Areias, Guarabira, Itabaiana, Pagtos, Souza (Parahyba do Norte); São Lourenço (Minas); Vassouras (E. do Rio); São Borja (R.G. do Sul); Garanhuns, Pesqueira, Petrolina (Pernambuco)" conforme mostra a figura abaixo. 

Embora tenha existido os modelos padronizados, podemos perceber entre o modelo apresentado na revista para estas cidades e a Agência de Camocim, algumas diferenças na fachada, sobretudo, no número de janelas, em que pese que as mesmas possam ter sido eliminadas em reformas posteriores.
Contudo, fica o registro!
Agência dos Correios e Telégrafos Typo I. Fonte: Revista Vida Doméstica. nº 189, p.43, 1933.

Fonte: Blogue Camocim Pote de Histórias




sábado, 22 de novembro de 2014

ANTIGO FAROL DE CAMOCIM


                                                       Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes. 

Fonte: Camocim Pote de Histórias

domingo, 10 de agosto de 2014

FAROL DO TRAPIÁ - O FAROL DE CAMOCIM



          Marinheiros fazendo manutenção no Farol do Trapiá. Camocim-CE. 

As primeiras referências do farol de Camocim chegaram como Farol do Trapiá lendo a obra do escritor imortal Carlos Cardeal no romance "Terra e Mar". Depois, num trabalho da faculdade no final dos anos 1980, uma colega camocinense me apresentou uma foto do referido farol que me ficou na lembrança. Mais recentemente, algumas pessoas nas redes sociais fizeram referência ao atual farol como uma construção sem nenhum atrativo arquitetônico, fazendo comparação com um antigo farol erguido na praia do mesmo nome. Independente da importância maior que um farol tem para os navegantes, para nossos irmãos pescadores que é sinalizar a entrada da nossa barra, fui atrás de fotos da antiga construção e acionei o acervo da Marinha do Brasil através do meu irmão Suboficial (HN) Luís Carlos Pereira dos Santos. O resultado será mostrado nesta e futuras postagens. Na foto, observamos marinheiros fazendo serviço de manutenção no farol tendo ao lado uma construção sólida de uma casa, provavelmente para morada do faroleiro


FONTE: Marinha do Brasil. CAMR-Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego. / Camocim Pote de Histórias

sábado, 13 de abril de 2013

GREVE DOS FERROVIÁRIOS EM CAMOCIM - 1949/1950



Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 a população de Camocim viveu um fato inusitado em sua história - uma greve de ferroviários com reflexos na população e outro setores da cidade que protestavam contra a saída dos trens e das oficinas de manutenção da cidade para outros locais. Como grande fonte empregadora de mão-de-obra - a ferrovia chegou a ter cerca de 800 funcionários no seu quadro distribuídos nas várias seções. A transferência de funcionários para outras cidades, o sucateamento do material rodante que não tinha reposição, acenderam o sinal de alerta entre os ferroviários que viram neste conjunto de fatores uma forma de pouco a pouco ir desestabilizando o ramal ferroviário Camocim-Sobral, o que aconteceria realmente em 1977.No entanto, os trabalhadores reagiram e escreveram uma página de resistência de seus postos de trabalho como mostra a documentação da época, quando foi preciso a vinda do representante do Ministro de Obras e Viação e do Governador do Estado para acalmar os ânimos do povo. Vejamos como isso aconteceu: 

População defronte da Associação Comercial. Foto: Arquivo Elda Aguiar
Os telegramas trocados entre a Associação Commercial, que se achava em sessão permanente, e a direção da Rede de Viação Cearense eram analisados pelo povo, que insistentemente ficava de prontidão em seus arredores. Neles, algumas passagens mostram o caráter resoluto da população na defesa da manutenção das oficinas e funcionários em Camocim:
“A cidade, não obstante não haver-se registrado nenhum incidente, ainda permanece sob intensa exaltação. A massa popular continua vibrante e entusiasmada, com o propósito de obter o cancelamento da ordem de saída de qualquer operário. Acredito que somente a vinda do ministro da Viação conseguirá normalizar a situação....  Saudações.”       
Capitão Assis Pereira Delegado Especial.
“Em resposta ao seu radiograma, informamos que estamos empregando todos os esforços no sentido de que a tranqüilidade volte a reinar em nossa terra. O povo, entretanto, continua intransigente, com o objetivo de conseguir um pronunciamento definitivo do sr. Ministro da Viação sobre a permanência das oficinas da Estrada de Ferro, (...) Toda a população, sem distinção de classe ou de credos, percorre as rua da cidade, numa demonstração evidente de que pretende fazer valer os seus direitos. Logo mais, daremos melhores informações sobre os resultados que estamos empregando.                                  Abraços.”       
Murilo Aguiar e Alfredo Coelho.
“Continuamos a empregar grandes esforços no sentido de conseguir que o povo aceite a solução contida no telegrama do Dr. Hugo Rocha. Entretanto, consideramo-nos impotentes, dada a exaltação do povo. Abraços.
                       Murilo Aguiar, Alfredo Coelho e José Coelho.”.
Como se percebe, povo, associações de classe e políticos deram as mãos e fizeram esforços no sentido de manter os postos de trabalho na ferrovia. Um simples exemplo de como as coisas podem ser resolvidas em prol da comunidade e sem vaidades políticas. Fica o exemplo! 

FONTE: "Cidade Vermelha - a militância comunista nos espaços de trabalho. 1927-1970" / Camocim Pote de Histórias

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Banda Lira de Camocim




 Banda Lira de Camocim. Regida pelo Maestro Miguel. Foto: Camocim Online.



Orientar trabalhos de história é uma das possibilidades de se conhecer mais sobre nós mesmos. Acabo de orientar um trabalho defendido com êxito no Curso de História pelo aluno Paulo José Silva dos Santos, denominado “A passagem de Pinto Martins por Camocim no raid aéreo Nova Iorque-Rio de Janeiro: memórias e contradições. 1922”. Na pesquisa sobre o feito do piloto camocinense, acabou-se descobrindo a origem da nossa Banda Lyra, que tocou na festa em homenagem ao ilustre camocinense nos salões do Sport Club. Portanto, agora o Maestro Miguel terá a referência histórica de quando começou a referida banda. Isso foi possível graças ao colecionador Fábio Alves que franqueou ao professor Paulo José o acesso a um pequeno folheto com o título Resumo histórico da vida de Luis de Moraes desde a sua chegada a cidade de Camocim 1907- 1924. Esse pequeno livro de autoria do próprio Luis Joaquim de Moraes é uma autobiografia e narra sua trajetória na cidade como músico, além da sua relação com a chegada de Pinto Martins. Ele próprio nos diz:

Mezes após a HARMONIA CAMOCINENSE foi entre a casa Nicolau & Carneiro continuando a ser dirigida ainda pelo Sr. Pinheiro o qual a deixou pouco depois. Dissolvido nessa época a referida banda de música, foram entregues os instrumentos a Revmo. Padre José Augusto. O qual os vendeu para Circo Catholico de Sobral. Achando-se Camocim sem uma banda de música resolvi ensinar meninos, o que comecei a pôr em pratica no mez de Abril de 1920. No dia 7 de Agosto daquele mesmo anno consegui inaugurar uma nova banda de música sob denominação de LYRA CAMOCINENSE, com o número de 13 musicos, sendo 2 antigos e 11 novos, ensinados por mim, à custa de muito sacrifício. (P.7)
 
Portanto, a Banda Lyra que ainda hoje alegra a cidade sob direção do Maestro Miguel, foi fundada em abril de 1920 por este homem esquecido na história de Camocim e apresentou-se pela primeira vez em agosto do mesmo ano. Após quatro anos da fundação da banda o Maestro Luis de Moraes escreve no final do livro todos os locais que a banda tocou, inclusive no baile realizado no Sport Club no mês de Dezembro de 1922, na chegada e na saída do aviador, cobrando a quantia de 50$000 em cada apresentação. 

Fonte: Camocim Pote de Histórias

Carnavais de Camocim




Imagine um desfile de blocos, uma batalha de confetes em plena praça pública, bailes para adultos e crianças nos principais clubes da cidade, escolha de Rei Momo e Rainha do Carnaval, banho de mar à fantasia, bloco dos sujos, etc. Imaginou? Pois é, este tipo de carnaval já existiu e Camocim sempre se destacou como um dos principais destinos carnavalescos do Ceará. Faltando um pouco mais de um mês para o período momino, destacamos hoje o "Carnaval Centenário" de Camocim ocorrido em 1979 na gestão do então Prefeito Edilson Veras Coelho, como mostra matéria ao lado publicada no jornal Tribuna do Ceará. A festa daquela época foi denominada de "CAMOCIM CEM ANOS DE SOL", organizada pela Secretaria de Turismo do Município tendo à frente o hoje "idoso vaidoso" Sr. Osmundo Campos. Sabemos que os tempos são outros e os carnavais idem, no entanto esperamos que a postagem baseada na matéria jornalística acima, sirva não apenas como pura recordação nostálgica, mas como inspiração de alguma forma para os gestores dessa festa nacional que se avizinha no nosso município. 
Fonte: Tribuna do Ceará. Arquivo particular de Gláucio Lima. CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS
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