segunda-feira, 21 de maio de 2012

Associativismo Rural em Camocim


A Sociedade dos Pequenos Agricultores do Município de Camocim, origem do atual Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Camocim, mostrando os vários objetivos da agremiação fundada em 28 de abril de 1953, que tinha em sua Diretoria nomes de comunistas como Francisco das Chagas Teixeira e Joaquim Rocha Veras (Quinca Veras). No entanto, dois anos antes, em 08 de agosto de 1951, outra associação já estava registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas a Associação Rural de Camocim, cujos objetivos eram: Agremiar as pessoas que exercem suas atividades na lavoura, pecuária e indústrias rurais. Daí, ser perceptível tratar-se de uma associação de patrões, bastando ver a composição da diretoria;

Diretoria : 
Presidente: Fernando Cela
Vice: Setembrino Veras.
Secretário: Joaquim Rocha Veras
2º Secretário: José Maria Viana
Conselho Fiscal: Murilo Aguiar, Eduardo Normandia Albuquerque e José Trévia. Suplentes: Hélio Veras Ribeiro, Francisco Assis Fontenele e Manoel Brisamor Aguiar Ximenes.

Note-se que o Sr. Joaquim Rocha Veras (Quinca Veras) estava nas duas diretorias, mostrando a complexidade das relações humanas. Por outro lado, pode ser que esta associação tenha sido o embrião do Sindicato Patronal Rural em Camocim que durante muito tempo foi comandado pela família Veras Coelho.

Fonte: Cartório André. 2º Ofício. Registro Civil de Pessoas Jurídicas e Camocim

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A recepção de Nossa Senhora em Camocim – 6 de novembro de 1954.


Desde que os fiéis tiveram conhecimento da Circular do Sr. Bispo Diocesano, concernente à Peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima por toda Diocese, não pouparam esforços no sentido de preparar uma recepção condigna da Excelsa Virgem Peregrina. Foram logo organisadas pelo Vigário três comissões tendo por objetivo (de) dirigir o movimento de preparação e recepção. O mez de Outubro foi inteiramente consagrado às glórias de Maria. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima era conduzida em procissão aos lares em visitas diárias, sendo levada a efeito a cadeia do terço e novena, acompanhadas de cânticos bem expressivos referentes às aparições de Nossa Senhora de Fátima como o hino: “Aos 13 de Maio” e outros.
No dia 3 de novembro iniciou-se um tríduo para se encerrar com a chegada da Imagem Peregrina no dia 6 pela manhã. Chegando o dia ansiosamente aguardado Camocim em peso foi despertado pela banda de música local, pela voz da amplificadora (local) e pelo estrungidos foguetes. A cidade toda ostentava um aspecto festivo. Em todos as ruas extenderam-se faixas com dísticos expressivos, casas embandeiradas, edifícios engalanados e calçamentos semeado de flores.
Ás 3.30 foi celebrada a 1ª missa festiva pelo Vigário e a 2ª pelo Revdmo. Pe. João Batista Araújo, Pároco de Chaval, que fora convidado para emprestar brilho às festividades. Grande número de fiéis abeirava-se do Banquete Eucarístico.
Os alto falantes de vez em quando conclamava o povo a se preparar para receber condignamente a Excelsa Peregrina. Avultava cada vez mais o número de pessoas, vindas de todos os cantos da Paróquia.
Ás 7 horas, Militares, Funcionários, Associações pias e classes se fizeram presentes ao arco triunfal á entrada da cidade, enquanto uma compacta multidão entre vivas e cânticos a alviçareira chegada da Santa, digo aguardava a chegada da Santa. Ás 7:20 o avião que trazia a Imagem aterrizou no campo de pouso. A comitiva da Santa era constituída do Revmo Padre Francisco Demontier, Dom Raimundo Castro, Bispo Auxiliar de Terezina, Mons. Manuel Marques dos Santos, Padre Sabino Lima, vigário de Acaraú. Sob as ovações calorosas do povo que para ali afluía, a Imagem foi recebida pelas Autoridades locaes e levada em um automóvel do Pe. José Palhano que momentos antes viera de Sobral, para o arco triunfal. Trasladada para o carro andor, artisticamente ornamentado figuras mais salientes da sociedade local, foi conduzida procissionalmente para Igreja Matriz. Nesse momento se desenrolou o mais emocionante espetáculo jamais verificado nesta cidade; uma massa enorme formando o préstito, prorrompeu em ovações e vivas, aqui era a euterpe local executando as melhores peças; ali o ribombar dos foguetes, cânticos expressivos, hinos. É sem dúvida inexprinsivel o cenário daquelles instantes. 
Tendo chegado a Imagem Caminheira ao Obelisco, efetuou-se o ato inaugural desta obra eregida pela Prefeitura local para marco comemorativo da Visita de Nossa Senhora de Fátima nesta cidade em 6 de novembro de 1954. Nessa ocasião a Imagem recebeu a saudação da cidade proferida por Pe. Ignácio Nogueira Magalhães, seguida de brilhante alocução feita pelo Sr. Clodoveu Arruda em nome da população, em seguida o Sr. Setembrino Veras Fontenele, o Prefeito, depositou aos pés da Virgem Peregrina um cartão de ouro, oferta da cidade, trazendo um belo soneto da autoria do Sr.José Arimatéia Filho. Ato seguido, a Imagem, digo sob calorosos aplausos da multidão delirante, a Imagem foi transportada e colocada no Altar Campal, defronte da Igreja Matriz. Depois desses momentos a nota de destaque que emprestou mais brilho às homenagens à Virgem de Fátima foi a missa campal celebrada pelo Revmo. Pe. José Palhano. Após a missa o povo rezava e cantava. Instantes antes da despedida Pe. Demontier deu com a Imagem a benção aos enfermos, extensiva a todos presentes. É pena que tenha demorado tão pouco a Excelsa visitante, apenas duas horas e meia nesta cidade onde a devoção à Santíssima Virgem já tem profundas raízes e foros de celebridade.
Na hora da partida de Nossa Senhora de Fátima, foi tal a comoção dos presentes que muitos não puderam conter as lágrimas.
Será por certo, este acontecimento gravado eternamente na memória dos fiéis e nos anaes da História de Camocim.
Cumpre assinalar que tiveram papel preponderante na organisação das festividades ena preparação dos homenagens em honra da Imagem Caminheira de N. Senhora de Fátima: Tenente Octávio de Santana, Agente da Capitania dos Portos, Sr. Benito Tavares, a quem se deve o cunho verdadeiramente artístico do Altar Campal, as Snras. Aída Perales Veras e Mirian Gomes Parente.
Em tempo: Mons. Manuel Marques dos Santos, ilustre componente da comitiva da Excelsa Peregrina é Vigário Geral da Diocese de Leiria, onde está situado Fátima, local das aparições de Nossa Senhora em 1917.
A dádiva dos fiéis, depositada nos pés da Santa pelo Prefeito local, foi comprada em São Paulo no valor de 15.000,00 (quinze mil cruzeiros).

Fonte: Arquivo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. 2º Livro de Tombo – 1931 a 1961, p. 151-53.    

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dia de Pinto Martins - 15 de Abril


Costumamos não reproduzir matérias neste espaço. No entanto, o dia de hoje merece uma exceção pelos 120 anos de Pinto Martins. Já fizemos algumas postagens aqui no POTE realçando a figura e a trajetória do nosso ilustre conterrâneo, inclusive, se hoje temos o DIA DE PINTO MARTINS e a COMENDA PINTO MARTINS, efeméride e condecoração em nossa cidade, tivemos um pouco a ver com essa decisão da Administração Municipal, face aos nossos artigos no jornal "O Literário", chamando a atenção para o descaso de sua estátua e a importância de recuperarmos  sua história. Desta forma, reproduzimos a matéria veiculada ontem pelo jornal Diário do Nordeste, Caderno Regional. Enquanto isso, estou no aguardo de receber das mãos do Tadeu Nogueira, o jornal enviado do Rio de Janeiro por nosso amigo camocinense Francisco Olivar, que traz manchetes do dia em que Pinto Martins completa o voo Nova Iorque-Rio de Janeiro, ao chegar na Cidade Maravilhosa.

Aviadores cearenses comemoram os 120 anos de Pinto Martins
O engenheiro mecânico que fez história na aviação mundial é cearense, nascido na cidade de Camocim

Camocim Antes de ser nome de um aeroporto, foi o homem ousado a atravessar o Oceano Atlântico em um avião. O aviador Euclides Pinto Martins, cearense de Camocim, faz parte da seleta nobreza da aviação mundial. Amanhã, se comemora 120 anos de seu nascimento. Aviadores cearenses farão o céu roncar em homenagem ao filho ilustre do Ceará. É uma forma de reacender o valor do engenheiro mecânico que completou o voo de Nova York para o Rio de Janeiro durante longos cinco meses com sucessivas escalas. Um voo pioneiro que entrou para a história mundial.
O Aeroporto Internacional Pinto Martins leva o nome do aviador cearense, que, embora homenageado, ainda é pouco reconhecido. Quase um século depois do feito, tiveram início as verdadeiras homenagens a quem ao fim da viagem fora recebido pelo então presidente do Brasil, Arthur Bernardes. Em Camocim, onde nasceu, em 15 de abril de 1892, há quatro anos existe um dia voltado a comemorações. Autoridades municipais entenderam que Pinto Martins faz parte da história e também da autoestima do camocinense. s"Quando levantamos voo de Caiena, encontramos forte temporal pela proa. Rompemos o mau tempo com dificuldade, mas tivemos de procurar abrigo. Tomei a direção do aparelho (era copiloto) e depois de reconhecer o Rio Cunani aí descemos às 3h30. O tempo, lá fora, era impetuoso e ameaçador. Não nos foi possível prosseguir e passamos a noite matando mosquitos e com bastante fome, pois não contávamos interromper a rota". Esse é o trecho de depoimento de Pinto Martins a um jornal da região Norte. A viagem inteira começou em novembro de 1922 e a chegada ao Rio de Janeiro deu-se em fevereiro do ano de 1923.

Aprendizado
Em 1909, antes da corajosa viagem, seu pai, Antônio Pinto Martins, o mandou para os Estados Unidos com aproximadamente US$ 300 e a obrigação de estudar e voltar mais "capacitado". Não sabia falar inglês, portanto, a língua seria o primeiro aprendizado. Chegando lá, alguns amigos ajudariam o filho de Antônio a se virar para manter-se no dia a dia e nos estudos. Sem perder tempo e fazendo uso da vontade que carregava, Pinto Martins matriculou-se na Drexell Institute, uma universidade da Filadélfia onde três anos depois se formaria em Engenharia Mecânica. Ali, os seus olhos já brilhavam para os meios de transporte, que cresciam em todo o mundo pós-revolução industrial e que se tornava, literalmente, a locomotiva do crescimento econômico.
Antes de se formar, Pinto Martins trabalhou como estagiário na Baldwin Locomotive, uma fábrica de vagões numa época em que não parava de crescer a instalação de ferrovias. Daí, já se via que o jovem galgava espaços aproveitando oportunidades em tudo que fosse símbolo da modernidade. Era a evolução do homem diante das máquinas. Foi esse sentimento que o impulsionou a fazer as primeiras investidas em prospecção de petróleo no Brasil. Para alguns biógrafos, o investimento no "ouro brasileiro", no que já representava o petróleo, fez de Pinto Martins um alvo da cobiça que teria sido decisiva em seus transtornos que o levariam a tirar a própria vida - antes havia discutido com seu companheiro de viagem Walter Hinton. Pinto Martins morreu em abril de 1924, um ano depois da heroica travessia.

Reconhecimento
Em 2009, Armando Pinto Martins, sobrinho-neto do aviador, escreveu artigo para o Diário do Nordeste destacando que "as novas gerações devem reconhecer que devemos muito aos nossos antepassados. A verdadeira história de Euclides Pinto Martins ainda está para ser contada". Depois de o presidente Café Filho sancionar lei oficializando o nome Pinto Martins para o aeroporto de Fortaleza, em 1952, e da criação do Dia Pinto Martins, em Camocim (2008), a história do aviador passa a ser reescrita. Para muitos, ainda é pouco para quem incentivou o novo. "A glória é breve. Cedo, aos poucos, Pinto Martins voltava ao anonimato. O Brasil não cultiva mesmo os seus heróis", lamentou Raquel de Queiroz, em crônica no jornal O Estado de São Paulo, século passado.
A viagem de Pinto Martins em um hidroavião biplano (pousa na água) foi patrocinada pelo jornal "The New York World", que fazia a tentativa pioneira de uma viagem entre as Américas do Norte e do Sul.
Foi considerada uma "loucura", mas foi concluída. Ao ser recebido pelo presidente Artur Bernardes, recebeu um prêmio de 200 contos de réis. Foi para a Europa, e a volta para o Rio de Janeiro deu-se com as negociações para explorar Petróleo. Há 60 anos, Pinto Martins é diariamente citado pelos milhares de voos que saem do aeroporto de Fortaleza que leva o seu nome.
A homenagem dos aviadores cearenses tem início a partir das 7 horas de amanhã, quando saem de Aquiraz em voo até a cidade natal do aniversariante, Camocim. O retorno está previsto para o fim da tarde.

Fonte: Diário do Nordeste, 14/04/2012, Camocim Pote de Historias.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Petroleo em Camocim

Foto de: EU AMO CAMOCIM

Voltou há algumas semanas atrás na mídia, a questão da exploração do petróleo na costa cearense. Efetivamente, nos anos 1980, Camocim foi alvo de pesquisa e o erário municipal embolsou alguns royalties na época. No entanto, nossa relação com o chamado "ouro negro", é muito mais antiga do que pensamos. Vai desde a iniciativa de Pinto Martins, quando completa o voo New York-Rio de Janeiro. Nosso intrépido aviador ao morar nos Estados Unidos deve ter tido conhecimento da potencialidade da exploração do petróleo no Brasil. Tanto é, que comprou alguns estudos da viúva de um estudioso estrangeiro que morrera misteriosamente em Alagoas. Sintomaticamente, após o suposto suicídio e morte de Pinto Martins, os estudos desapareceram misteriosamente de seu apartamento no Rio. O escritor Monteiro Lobato (ele próprio, um estudioso e incentivador da exploração do petróleo no Brasil) eleva Pinto Martins à categoria de "mártir" na defesa do petróleo no Brasil. Tempos depois, na famosa campanha "O Petróleo é nosso", que levou os estudantes de todo o Brasil para as ruas, em Camocim, tivemos algumas manifestações a favor da mesma, como palestras na Sociedade Beneficente Ferroviária proferidas pelo nosso saudoso Artur Queirós, assim como uma proposição do vereador comunista Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino) em criar na Câmara Municipal de Camocim uma "Comissão de Defesa de Petróleo".

Fonte: Câmara Municipal de Camocim. Livro de Atas. 16 de junho de 1948. / Camocim Pote de Historias / EU AMO CAMOCIM, pagina do facebook.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

RADIO COMUNITÁRIA DE CAMOCIM

Falar sobre o rádio em Camocim precisaria uma pesquisa muito profunda, se fôssemos realmente buscar a origem deste meio de comunicação que ainda hoje possui uma agilidade impressionante, principalmente o Rádio AM. Precisaria recuperar as histórias dos sonoros - tema já focalizado no blog, assim como das experiências trazidas pela igreja na educação com os rádios cativos, onde apenas uma emissora era sintonizada. As rádios Pinto Martins e União da década de 1980 surgiram pelas motivações políticas que os grupos, Fundo Mole e Cara Preta. Ter uma rádio era, e ainda é uma ferramenta de grande utilidade no jogo político, no sentido de se comunicar com os ideais eleitoreiros destes grupos. Infelizmente o rádio AM de Camocim está em fase terminal. A Rádio Pinto Martins fechou, agora tendo uma versão FM, e a União funcionando com visível defasagem técnica na aparelhagem ultrapassada. No entanto, um fato novo nessa disputa entre as rádios locais foi o advento da RÁDIO COMUNITÁRIA PROMOÇÃO FM - 98.5, que no ano de 1997, trouxe uma nova opção e um novo jeito de fazer rádio em Camocim. Dispensado por um diretor da então Rádio União, de um programa esportivo, cujo horário era comprado pelo professor Carlos Augusto e o Marco Ximenes, ficamos sem prefixo e pensando um jeito de voltar às ondas hertzianas. Tendo acesso a uma legislação que permitia a fundação de rádios comunitárias no país, foi formado um grupo que deu forma e vida à Promoção FM. O Serviço de Promoção Humana - SPH, foi a associação que os acolheu. Onde que cuidou de toda a papelada e programação foi o professor Carlos Augusto. Toinho Lima na parte técnica onde o mesmo cuidou da torre e do transmissor, cedido naquele momento pelo empresário Eugênio Pacelli. Carlos Aquino trouxe consigo uma aparelhagem de estúdio e, numa bela tarde, jogaram o som límpido de FM para toda Camocim. Depois foram chegando mais pessoas e então foi formado o conselho para administrar a rádio. A novidade logo se espalhou e a rádio passou a exercer seu papel de porta-voz dos cidadãos camocinenses. Outras pessoas e grupos acharam também ser possível ter um canal dessa natureza e fundaram suas rádios, transformando-as para os mais diversos interesses. Infelizmente, aquele projeto inicial da PROMOÇÂO FM, começou a ter também outros interesses e, aliado aos problemas advindos com a legislação cada vez mais a favor das rádios ditas "oficiais", fizeram com que a "febre" passasse, e a grande maioria delas fechassem. Hoje, o termo “comunitário” é apenas uma fachada legal e a maioria deste tipo de emissora estão servindo aos interesses de seus donos - os políticos.
Blog Pote de Historias com Modificações de Pesquise em Camocim

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tiro de Guerra de Camocim


A tradição verde-oliva em Camocim já foi referenciada pelo blog, expressando a nossa vocação espartana. Não à toa, em Camocim temos a representação das Forças Armadas através da Capitania dos Portos (Marinha) e Tiro de Guerra (Exército), além de sediarmos a 3ª Cia, do3º Batalhão da Polícia Militar. Contudo, pouca gente sabe que o nosso TG, antes de ter a denominação de 10-001, foi o TG 250, como atesta a foto ao lado. O TG 250, nos primórdios funcionou na casa pertencente a família do José Dias Macêdo, nos idos de 1950, situada à Rua Santos Dumont. Por outro lado, para além de uma simples lembrança da realização de uma páscoa para os jovens recrutas camocinenses do ano de 1963, o documento escancara o clima de beligerância daqueles tempos entre a Igreja, o Estado contra os "inimigos da pátria", entendendo-se por isso, principalmente os que se denominavam ou se denunciavam como "subversivos", "comunistas", "socialistas", "anarquistas", dentre outras denominações. Transcrevemos a frase do referido documento: "Nascido ao calor da missa, o Brasil espera que a nossa fé católica, que expulsou os invasores da Pátria, seja sempre a força e o segredo de nosso patriotismo”. O detalhe é que a comemoração pascal deu-se quase um ano antes do fatídico Golpe Civil-Militar de 1º de Abril de 1964. Por outro lado, o documento revela o que eu não sabia - que o ex-prefeito de Camocim, João Batista Rocha Aguiar tinha sido Diretor do TG, assim como Tenente da Reserva (R/2).

Camocim Pote de Historias com Modificações Pesquise em Camocim

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Estação Ferroviaria de Camocim


Fachada da Estação 
Arquitetura de estilo eclético, datada de 1881. Obra tombada pelo Patrimônio Estadual. Em administrações anteriores abrigou a Casa de Cultura e Desporto do município, o Campus de Difusão Tecnológica da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, e atualmente abriga a Prefeitura Municipal de Camocim.
Galpão da Antiga Estação





A ESTAÇÃO: Os primeiros habitantes de Camocim remontam ao final do século XVIII. Tornada porto pela habilidade de Gabriel Rocha em conduzir qualquer navio pela barra, a cidade foi crescendo rapidamente. "A 3 de outubro de 1857, foi concedido a Tomas Dixon Lowden, pelo Governo Imperial, privilégio por 50 anos para construir uma estrada de ferro de Camocim até Ipu. Em 19 de junho de 1878, o Governo Imperial voltou a olhar o problema da construção da estrada de ferro, autorizando os estudos e construção do trecho de Camocim a Sobral. À tarde do dia 24 de julho do mesmo ano, os habitantes de Camocim foram agradavelmente surpreendidos com a entrada, no porto, do vapor Guará, conduzindo a ilustre comissão de engenheiros encarregada dos trabalhos da estrada referida. A população camocinense recebeu a comissão aludida com grande demostração de alegria e, em favor da deficiência de domicílios, algumas famílias cederam os seus, para abrigar os engenheiros e foram habitar em palhoças. A 5 de agosto de 1878, tiveram início os estudos para a construção da estrada de ferro. A 26 de março de 1879, realizou-se com assistência do Presidente da Província e solenidade de estilo, o assentamento do primeiro trilho da estrada de ferro em Camocim, sendo convidado, pelo Dr. Rocha Dias, para bater o primeiro grampo, o Dr. José Júlio de Albuquerque. Compareceram ao ato todas as autoridades de Granja e Camocim, além de elevado número de pessoas gradas. A inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro de Sobral, entre Cmocim e Granja, numa extensão de 24,5 quilômetros, ocorreu no dia 15 de janeiro de 1881, dois anos após o início dos trabalhos. A antiga capela de Camocim, que por muitos anos serviu de matriz, foi iniciada em 1880 obedecendo à planta e direção do Engenheiro José Privat, primeiro diretor da Estrada de Ferro de Sobral (...)" (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959). A estação de Camocim foi, então, inaugurada em 1881 como ponto inicial da E. F. de Sobral. O município havia sido criado em 1879. Seu porto se desenvolveu mais ainda com a ferrovia. Por volta de 1949, consta que o governador do Ceará tentou extinguir o ramal de Camocim, e ouve um levante popular contra essa atitude. O levante acabou adiando a extincão do ramal, se é que realmente era esse o objetivo do Governador. Na verdade, parece que o que ele queria era fechar o porto, o que acabaria por levar à supressão do ramal, que perderia muito movimento, e, na época, a ferrovia era praticamente a única fonte de suprimentos e de transporte para Camocim. De qualquer forma, até janeiro de 1976, pelo menos, o Guia Levi ainda acusava o tráfego de trens de passageiros na linha de Camocim a Oiticica. Em 1978, já não mais. "Conheci o engenheiro que arrancou os trilhos deste ramal. Em 1980 ele era o Engenheiro Residente em Tirirical, em São Luiz, portanto a linha deve ter sido tirada bem antes disso" (Coaraci Camargo, 2005). "Essa locomotiva Whitcomb Endcabe 650 hp - U.S.A, de n° 612, escreveu uma página negra na história ferroviária do ceará. No ano 1951, na linha sul (Estrada de Ferro de Baturité) ao sair de Quincoê buscando Fortaleza, tombou com um trem de passageiros com saldo de 200 mortos (extra oficial). Somente ela e um vagão permaneceram nos trilhos. Nesse ponto da fotografia iniciava-se a linha no rumo de Sobral, a antiga Estrada de Ferro de Sobral. Adiante a uns 300 m ficavam à direita as oficinas mecânicas e à esquerda o depósito de carros e o leito do rio Coreaú. Note os lambrequins em seu beiral preservadíssimos. Na foto (abaixo, de 2006), o antigo pátio de Camocim. Ao fundo a gare e a estação. À direita o deposito de carros e por trás deste os armazéns do porto. À esquerda a casa da administração e mais à diante sem visualização as oficinas. Nessa estrada carroçável saíam os trilhos rumo Sobral. E na foto das ruínas da oficina (também abaixo), as ruínas das oficinas mecânicas em Camocim resistem ao tempo. Perceba, longe e ao fundo, restos dos portais do depósito de locomotivas, olhando para a gare. E no plano maior, as oficinas olham para o rio Coreaú. A sua frente passavam os trilhos do pq. de manobras da 5° divisão buscando Sobral. No pé da foto, vestígios da velha rotunda. Ainda de pé, definha o velho depósito de carros. Em seu interior passavam três trilhos com valas para os serviços de manutenção. Está edificado a 50m adiante da gare, à esquerda" (Ney Robinson, 12/2006). "A locomotiva no. 612 da Rede de Viação Cearense (RVC) era uma Whitcomb (USA) de rodagem C-C. A história é a seguinte: durante a época da sua dieselização e eletrificação, a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB), da Bahia, adquiriu 15 dessas locomotivas em 1949, recebidas em Salvador naquele mesmo ano. Entretanto, durante os testes e início de sua operação na Bahia, em 1949-50, essas locomotivas tendiam a "abrir a bitola" das linhas da Leste Brasileiro, tornando-se sub-utilizadas. Como a VFFLB já era uma ferrovia pertencente ao antigo DNEF (Departamento Nacional de Estradas de Ferro, precursora da RFFSA), essas 15 locomotivas foram transferidas para a Rede de Viação Cearense e operaram por lá até a sua baixa - não sei ao certo, mas devem ter sido baixadas na década de 1970"