sábado, 22 de novembro de 2014

ANTIGO FAROL DE CAMOCIM

                                                       Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes. 

Fonte: Camocim Pote de Histórias

domingo, 10 de agosto de 2014

FAROL DO TRAPIÁ - O FAROL DE CAMOCIM


          Marinheiros fazendo manutenção no Farol do Trapiá. Camocim-CE. 

As primeiras referências do farol de Camocim chegaram como Farol do Trapiá lendo a obra do escritor imortal Carlos Cardeal no romance "Terra e Mar". Depois, num trabalho da faculdade no final dos anos 1980, uma colega camocinense me apresentou uma foto do referido farol que me ficou na lembrança. Mais recentemente, algumas pessoas nas redes sociais fizeram referência ao atual farol como uma construção sem nenhum atrativo arquitetônico, fazendo comparação com um antigo farol erguido na praia do mesmo nome. Independente da importância maior que um farol tem para os navegantes, para nossos irmãos pescadores que é sinalizar a entrada da nossa barra, fui atrás de fotos da antiga construção e acionei o acervo da Marinha do Brasil através do meu irmão Suboficial (HN) Luís Carlos Pereira dos Santos. O resultado será mostrado nesta e futuras postagens. Na foto, observamos marinheiros fazendo serviço de manutenção no farol tendo ao lado uma construção sólida de uma casa, provavelmente para morada do faroleiro


FONTE: Marinha do Brasil. CAMR-Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego. / Camocim Pote de Histórias

sábado, 13 de abril de 2013

GREVE DOS FERROVIÁRIOS EM CAMOCIM - 1949/1950


Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 a população de Camocim viveu um fato inusitado em sua história - uma greve de ferroviários com reflexos na população e outro setores da cidade que protestavam contra a saída dos trens e das oficinas de manutenção da cidade para outros locais. Como grande fonte empregadora de mão-de-obra - a ferrovia chegou a ter cerca de 800 funcionários no seu quadro distribuídos nas várias seções. A transferência de funcionários para outras cidades, o sucateamento do material rodante que não tinha reposição, acenderam o sinal de alerta entre os ferroviários que viram neste conjunto de fatores uma forma de pouco a pouco ir desestabilizando o ramal ferroviário Camocim-Sobral, o que aconteceria realmente em 1977.No entanto, os trabalhadores reagiram e escreveram uma página de resistência de seus postos de trabalho como mostra a documentação da época, quando foi preciso a vinda do representante do Ministro de Obras e Viação e do Governador do Estado para acalmar os ânimos do povo. Vejamos como isso aconteceu: 

População defronte da Associação Comercial. Foto: Arquivo Elda Aguiar
Os telegramas trocados entre a Associação Commercial, que se achava em sessão permanente, e a direção da Rede de Viação Cearense eram analisados pelo povo, que insistentemente ficava de prontidão em seus arredores. Neles, algumas passagens mostram o caráter resoluto da população na defesa da manutenção das oficinas e funcionários em Camocim:
“A cidade, não obstante não haver-se registrado nenhum incidente, ainda permanece sob intensa exaltação. A massa popular continua vibrante e entusiasmada, com o propósito de obter o cancelamento da ordem de saída de qualquer operário. Acredito que somente a vinda do ministro da Viação conseguirá normalizar a situação....  Saudações.”       
Capitão Assis Pereira Delegado Especial.
“Em resposta ao seu radiograma, informamos que estamos empregando todos os esforços no sentido de que a tranqüilidade volte a reinar em nossa terra. O povo, entretanto, continua intransigente, com o objetivo de conseguir um pronunciamento definitivo do sr. Ministro da Viação sobre a permanência das oficinas da Estrada de Ferro, (...) Toda a população, sem distinção de classe ou de credos, percorre as rua da cidade, numa demonstração evidente de que pretende fazer valer os seus direitos. Logo mais, daremos melhores informações sobre os resultados que estamos empregando.                                  Abraços.”       
Murilo Aguiar e Alfredo Coelho.
“Continuamos a empregar grandes esforços no sentido de conseguir que o povo aceite a solução contida no telegrama do Dr. Hugo Rocha. Entretanto, consideramo-nos impotentes, dada a exaltação do povo. Abraços.
                       Murilo Aguiar, Alfredo Coelho e José Coelho.”.
Como se percebe, povo, associações de classe e políticos deram as mãos e fizeram esforços no sentido de manter os postos de trabalho na ferrovia. Um simples exemplo de como as coisas podem ser resolvidas em prol da comunidade e sem vaidades políticas. Fica o exemplo! 

FONTE: "Cidade Vermelha - a militância comunista nos espaços de trabalho. 1927-1970" / Camocim Pote de Histórias

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Banda Lira de Camocim



 Banda Lira de Camocim. Regida pelo Maestro Miguel. Foto: Camocim Online.



Orientar trabalhos de história é uma das possibilidades de se conhecer mais sobre nós mesmos. Acabo de orientar um trabalho defendido com êxito no Curso de História pelo aluno Paulo José Silva dos Santos, denominado “A passagem de Pinto Martins por Camocim no raid aéreo Nova Iorque-Rio de Janeiro: memórias e contradições. 1922”. Na pesquisa sobre o feito do piloto camocinense, acabou-se descobrindo a origem da nossa Banda Lyra, que tocou na festa em homenagem ao ilustre camocinense nos salões do Sport Club. Portanto, agora o Maestro Miguel terá a referência histórica de quando começou a referida banda. Isso foi possível graças ao colecionador Fábio Alves que franqueou ao professor Paulo José o acesso a um pequeno folheto com o título Resumo histórico da vida de Luis de Moraes desde a sua chegada a cidade de Camocim 1907- 1924. Esse pequeno livro de autoria do próprio Luis Joaquim de Moraes é uma autobiografia e narra sua trajetória na cidade como músico, além da sua relação com a chegada de Pinto Martins. Ele próprio nos diz:

Mezes após a HARMONIA CAMOCINENSE foi entre a casa Nicolau & Carneiro continuando a ser dirigida ainda pelo Sr. Pinheiro o qual a deixou pouco depois. Dissolvido nessa época a referida banda de música, foram entregues os instrumentos a Revmo. Padre José Augusto. O qual os vendeu para Circo Catholico de Sobral. Achando-se Camocim sem uma banda de música resolvi ensinar meninos, o que comecei a pôr em pratica no mez de Abril de 1920. No dia 7 de Agosto daquele mesmo anno consegui inaugurar uma nova banda de música sob denominação de LYRA CAMOCINENSE, com o número de 13 musicos, sendo 2 antigos e 11 novos, ensinados por mim, à custa de muito sacrifício. (P.7)
 
Portanto, a Banda Lyra que ainda hoje alegra a cidade sob direção do Maestro Miguel, foi fundada em abril de 1920 por este homem esquecido na história de Camocim e apresentou-se pela primeira vez em agosto do mesmo ano. Após quatro anos da fundação da banda o Maestro Luis de Moraes escreve no final do livro todos os locais que a banda tocou, inclusive no baile realizado no Sport Club no mês de Dezembro de 1922, na chegada e na saída do aviador, cobrando a quantia de 50$000 em cada apresentação. 

Fonte: Camocim Pote de Histórias

Carnavais de Camocim



Imagine um desfile de blocos, uma batalha de confetes em plena praça pública, bailes para adultos e crianças nos principais clubes da cidade, escolha de Rei Momo e Rainha do Carnaval, banho de mar à fantasia, bloco dos sujos, etc. Imaginou? Pois é, este tipo de carnaval já existiu e Camocim sempre se destacou como um dos principais destinos carnavalescos do Ceará. Faltando um pouco mais de um mês para o período momino, destacamos hoje o "Carnaval Centenário" de Camocim ocorrido em 1979 na gestão do então Prefeito Edilson Veras Coelho, como mostra matéria ao lado publicada no jornal Tribuna do Ceará. A festa daquela época foi denominada de "CAMOCIM CEM ANOS DE SOL", organizada pela Secretaria de Turismo do Município tendo à frente o hoje "idoso vaidoso" Sr. Osmundo Campos. Sabemos que os tempos são outros e os carnavais idem, no entanto esperamos que a postagem baseada na matéria jornalística acima, sirva não apenas como pura recordação nostálgica, mas como inspiração de alguma forma para os gestores dessa festa nacional que se avizinha no nosso município. 
Fonte: Tribuna do Ceará. Arquivo particular de Gláucio Lima. CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS

Balaustre - Camocim - CE



 Construção da Balaustrada de Camocim. Anos 1920. Arquivo: Aroldo Viana
Balaustrada Hoje em Camocim - CE; Foto - Book Camocim

A balaustrada que margeia o nosso Rio da Cruz (como gostava de escrever o saudoso escritor camocinense Carlos Cardeal), também chamado de Rio Camocim ou, como quer a designação oficial, Rio Coreaú. Hoje, ao passear na orla não nos damos conta que esse quebra mar é quase centenário. Várias gestões, desde 1920, o alteram e remodelam. Contudo, somente no final dos anos 1980 que o mesmo vem se constituindo como nosso cartão postal, sendo apresentado em cartazes e outras peças publicitárias, estilizado em chamadas de eventos culturais como o carnaval. Aliás, de uns tempos para cá, sempre no período momino, a balaustrada recebe uma mão de tinta (menos no ano passado), com cores variadas, bem ao estilo da festa. Por outro lado, é visível o desgaste do mesmo face às intempéries e a falta de manutenção aliada à depredação dos vândalos. Fica a dica para a nova administração cuidar um pouco mais desse nosso cartão-postal, quem sabe até realizar uma reforma digna de sua história quase secular.

Fonte: Camocim Pote de Histórias