quinta-feira, 19 de maio de 2011

Historico da cidade de Camocim - Ce

1535 - Origens de Ocupação
As terras de Camocim fazem parte das capitanias hereditárias propostas por Dom João III na carta Foral de 11 de março de 1535. A Capitania do Ceará, com 40 léguas e limites de Parnaíba (PI) à Fortaleza (CE), coube a Antônio Cardoso de Barros. Porém, o donatário português não se aventurou a ir a Camocim, muito menos colonizá-la. Antônio Cardoso de Barros só veio ao Brasil em 1549, nomeado como Provedor-Mor da Fazenda.

“O primeiro lote ficou sob responsabilidade de João de Barros e de Aires da Cunha, e ía do Rio Grande do Norte à enseada de Curumicuara no Ceará. Daí em diante começava o lote de Antônio Cardoso de Barros, que ia até o rio Camocim. Do rio Camocim, no Ceará, até o cabo de Todos os Santos, no Maranhão, a capitania pertencia a Fernand’Álvarez de Andrade (onde o litoral do Piauí está inserido) e , por fim, vinha a capitania do Maranhão, segundo lote de João de Barros e Aires da Cunha”.
(ABREU, 1988, p. 83; POMPEU SOBRINHO, 1980, P.107).

As terras do Ceará ficavam à mercê dos corsários estrangeiros, principalmente franceses, que comercializavam com os índios ervas e outras riquezas naturais da flora como a Tatajuba e o pau violeta.

1613 - Ocupações de Camocim na Conquista do Maranhão
A partir de 1610, os colonos portugueses começaram a se estabelecer no litoral do Ceará para proteger a Capitania dos ataques de franceses e holandeses e ingleses.

Em 1613, os portugueses dirigiram-se ao norte com intenção de conquistar o Maranhão. De passagem pelas terras de Camocim, onde tinham intenção de se estabelecer, encontraram seca e miséria, transferindo-se para a localidade de Buraco da Tartaruga, hoje chamada Jericoacoara. A região ficava distante de qualquer ocupação.

A intenção da colonização, era a descoberta de minérios preciosos e a extração de sal. Os canais do Rio Camocim permitiam a navegação em marés altas. Os holandeses estabeleceram-se próximo aos melhores locais para a exploração salineira e com água potável em abundância.

Foi construída, então as Fortificações do Camocim, localizadas na margem esquerda da foz do rio Coreaú, atual Praia das Barreiras.

BARRETTO (1958) informa que uma fortificação neste ancoradouro já havia sido cogitada em 1613 por Jerônimo de Albuquerque Maranhão (1548-1618), no contexto da conquista da Capitania do Maranhão aos franceses, optando por se estabelecer, entretanto, em Jericoacoara (ver Fortificações na ponta de Jericoacoara) (op. cit., p. 92).

No contexto da segunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), um reduto de campanha neerlandês defendia o Porto do Pote (atual Camocim), remontando, provavelmente, a 1641 quando o governador neerlandês da capitania do Ceará, Gedean Morris, viajou pelo norte da capitania a título de exploração.

O mesmo autor complementa que, em 1656, o governador da capitania do Maranhão, André Vidal de Negreiros (1606-1680), a quem a Capitania do Ceará se subordinava, ordenou guarnecer o Camocim com vinte e cinco homens e um ajudante, artilhando-o com quatro peças de 6 libras, com a mesma função do Fortim de Jericoacoara: apoiar e proteger as comunicações por terra do Ceará com o Maranhão. Em 1687, nada mais restava da estrutura (op. cit., p. 92-93).

GARRIDO (1940) acredita que o Forte de Camocim tenha sido levantado em 1659 para desaparecer em 1696 (op. cit., p. 40). SOUZA (1885) refere que existiam vestígios de seus muros, à época (1885), no local (op. cit., p. 36).

1879 - De Povoado a Vila
Fugindo da seca que assolava o sertão, chegaram a Camocim, imigrantes vindos principalmente de Mombaça, de modo que, no final do século XIX, a população da cidade chegava aos 5 mil habitantes. Nesta época, a localidade foi elevada à categoria de Vila, por força da Lei Nº. 1849 de 29 de setembro de 1879, sendo desmembrado do município de Granja.

1881 - Inauguração Estrada de Ferro
A eficiência do porto de Camocim, possibilitando a importação e exportação de mercadorias, até então feita pelo porto de Acaraú, fez surgir a idéia de conectar a cidade, por via férrea, a Sobral. Deste modo, em 15 de janeiro do ano de 1881, foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro de Sobral – Camocim.

O conjunto arquitetônico da Rede Ferroviária no Estado do Ceará em Camocim, reunia terminal, residência do engenheiro, galpões para entrepostos e extenso pátio para manobras. A ferrovia e o porto impulsionaram o desenvolvimento do Município, aquecendo o comércio e atraindo população.

1889 - De Vila a Município
Em 17 de Agosto de 1889, pela Lei Nº. 2162 passou a categoria de cidade.

1892 - Pinto Martins filho ilustre
Euclydes Pinto Martins
(Camocim, 15 de abril de 1892 – Rio de Janeiro, 12 de abril de 1924)

Euclydes Pinto Martins nasceu em Camocim - CE, no 15 de abril de 1892. Filho de Antônio Pinto Martins e Maria de Araújo do Carmo Martins passou pouco tempo em sua terra natal, pois seu pai foi convidado a representar a Companhia de Salinas Mossoró Assú, em Macau - RN.

Passou toda sua infância no Rio Grande do Norte, onde paralelo aos estudos regulares freqüentou o Curso de Náutica. Com 17 anos, foi para os Estados Unidos, onde se formou em Engenharia Mecânica e estagiou na "Baldwin Locomotive", uma fábrica de vagões. Ali, o jovem aprendeu a falar inglês rapidamente e se inseriu na sociedade local, conhecendo a Srta. Gertrudes Mc Mullan, com quem se casou.

Seu primeiro retorno ao Brasil foi logo após sua formatura, em 1911. Passou a trabalhar como engenheiro na "Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca" e na Estrada de Ferro, em Natal, onde em 1914 nasceu sua primeira filha: Ceres, que viria a morrer, tragicamente, aos 31 anos de idade num acidente de avião em Porto Rico. Quatro anos após o nascimento de Ceres, Pinto Martins perdeu sua jovem esposa o que contribuiu para seu retorno aos EUA. Casou-se pela segunda vez com a americana Adelaide Sulivan, advogada, doze anos mais velha que Pinto Martins, com quem teve sua segunda filha, Adelaide Lillian, em 1920.

Durante a década de 20, Pinto Martins se interessou pela aeronáutica, que se desenvolvia por conta da guerra. Em 1921, entrou em um Curso de Aviação e conseguiu o "brevet" de piloto. Com sua entrada no meio aeronáutico, conheceu um veterano na área: Walter Hilton, instrutor de vôo na Flórida.

No ano seguinte, o jovem aviador camocinense e Hilton lutaram para realizar o sonho de Pinto Martins de atravessar a América em um Hidroavião, idéia inusitada para a época. Depois de várias tentativas de patrocínios e alguns fracassos, os pilotos foram escolhidos como parte da tripulação de um avião fretado pelo jornal "The New York World", que patrocinava a tentativa de uma viagem aérea pioneira entre as Américas do Norte e do Sul. Aquela foi uma época de grandes raides, mas se hoje é ainda temerário sobrevoar a Amazônia em aeronaves pequenas, na década de 1920, isso quase beirava a loucura.

A viagem começou em Nova Iorque, em novembro de 1922, e terminou no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1923, após terem sido cobertos os 5678 km do percurso com cem horas de vôo interrompidas a cada instante pelos mais variados problemas. O primeiro pouso em águas brasileiras ocorreu no dia 17 de novembro de 1922, quando Pinto Martins e seus colegas americanos amerissaram na foz do rio Cunani, no Pará.

O episódio foi posteriormente narrado pelo próprio Pinto Martins a um repórter do Jornal O Estado do Pará: "Quando levantamos vôo de Caiena – Guiana Francesa encontramos forte temporal pela proa. Rompemos o mau tempo com dificuldade, mas tivemos de procurar abrigo. Tomei a direção do aparelho (era o co-piloto da viagem) e depois de reconhecer o Rio Cunani aí descemos às 3h30min. O tempo lá fora era impetuoso e ameaçador. Não nos foi possível prosseguir e passamos a noite matando mosquitos e com bastante fome, pois não contávamos interromper a rota..."

Essa e outras aventuras tornaram a viagem New York – Rio de Janeiro uma terrível aventura de obstáculos, só superados pela coragem dos tripulantes. Às 12h20min do dia 19 de dezembro de 1922, “um grande pássaro de asas abertas”, emitindo estranhos sons, chegava a Camocim. Era ele! O audacioso aviador que pousava em sua cidade natal, motivo de imensa festa e alegria para os camocinenses que participaram daquele momento histórico e do banquete, que lhe foi oferecido às 14h.

Pinto Martins foi também recepcionado pelo Presidente Artur Bernardes e recebeu um prêmio de 200 contos de réis por seu feito histórico. Viajou à Europa, voltou ao Rio e iniciou negociações para explorar petróleo.

Em 12 de abril de 1924, Pinto Martins morreu de forma brutal. Até hoje o episódio não está bem explicado, mas Monteiro Lobato, em seu livro "Escândalo do Petróleo e do Ferro", sustenta que Pinto Martins foi vítima dos poderosos lobbies interessados em atrasar o desenvolvimento brasileiro. A verdade talvez nunca venha a ser conhecida. Uma versão para a sua morte é a de que, após discutir com seu companheiro de viagem Walter Hinton, ele sacou uma arma e suicidou-se na frente de sua amante.

Em 1952, atendendo às aspirações dos seus conterrâneos, o Presidente Café Filho sancionou Lei no Congresso oficializando o nome de Pinto Martins para o aeroporto da capital cearense. Justiça, mas ainda pequena, para o homem dinâmico que na década de 1920 soube antever a importância econômica da ligação aérea regular entre os Estados Unidos e o Brasil e que teve ainda a coragem de investir na exploração de petróleo no país, quando isso era por todos apontado como uma loucura. A viagem New York - Rio de Janeiro também era insana, mas ele a concluiu. O Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, como homenagem leva seu nome, assim como o Campo de Pouso de Camocim.

Fontes:
“O Literário” (http://www.literario.com.br/pmartins1.htm);
“A História da Aviação Cearense”, dos jornalistas/ escritores cearenses Ivonildo Lavor e Augusto Oliveira.

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