segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Balaustre - Camocim - CE



 Construção da Balaustrada de Camocim. Anos 1920. Arquivo: Aroldo Viana
Balaustrada Hoje em Camocim - CE; Foto - Book Camocim

A balaustrada que margeia o nosso Rio da Cruz (como gostava de escrever o saudoso escritor camocinense Carlos Cardeal), também chamado de Rio Camocim ou, como quer a designação oficial, Rio Coreaú. Hoje, ao passear na orla não nos damos conta que esse quebra mar é quase centenário. Várias gestões, desde 1920, o alteram e remodelam. Contudo, somente no final dos anos 1980 que o mesmo vem se constituindo como nosso cartão postal, sendo apresentado em cartazes e outras peças publicitárias, estilizado em chamadas de eventos culturais como o carnaval. Aliás, de uns tempos para cá, sempre no período momino, a balaustrada recebe uma mão de tinta (menos no ano passado), com cores variadas, bem ao estilo da festa. Por outro lado, é visível o desgaste do mesmo face às intempéries e a falta de manutenção aliada à depredação dos vândalos. Fica a dica para a nova administração cuidar um pouco mais desse nosso cartão-postal, quem sabe até realizar uma reforma digna de sua história quase secular.

Fonte: Camocim Pote de Histórias

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O ELEITOR MAIS VELHO DE CAMOCIM




 Sr. Carlos Salu aguardando o momento de votar. Foto: Francisco Rocha.

Com a colaboração do amigo professor Francisco Rocha, estamos publicando seu texto referente ao Sr. Carlos Salu que, aos 104 de idade compareceu à mesa receptora de votos na última eleição:
A proeza de captar essa imagem exigiu-me muita habilidade, já que as autoridades da mesa (seção eleitoral) não me permitiram registrar o momento em que esse senhor  com 104 anos de história, deu um exemplo de cidadania, comparecendo à seção para votar. Sentado, o Sr. Carlos Salu aguarda com expectativa enquanto a mesária procura seu nome na folha.
Considerado o eleitor mais velho do Brasil, até que se prove o contrário, o Sr. Carlos Gomes de Oliveira - Carlos Salu, foi uma figura emblemática nessas eleições no município de Camocim-CE. No dia 7 de Outubro de 2012, quando compareceu à seção para votar, o mesmo estava com exatos 104 anos, 2 meses e 3 semanas. D.N.: 17/07/1908. Lúcido, apenas com deficiência auditiva, mas com uma visão de criança, assinou seu nome, ficou na cabine eleitoral sozinho, votou certo e consciente, tendo um acompanhante apenas por segurança.
O Sr. Carlos é digno de nosso respeito e admiração pelo seu belo exemplo de cidadania. Enquanto muitos que tem a metade de sua idade não querem mais votar e outros bem mais jovens ainda, que, mal acostumados com a cultura da corrupção, só querem votar se receberem algo em troca, este senhor, agricultor aposentado, viúvo, com 104 anos 2 meses e 21 dias no dia da eleição, morador na localidade de Tapuio, sudoeste do município, distante 36 quilômetros da sede, faz questão de vir exercer seu louvável papel de cidadão, votando em quem acredita ser melhor para dirigir os destinos do município. Acompanhá-lo até a seção foi uma honra! Foi um voto histórico e a proeza que “Seu Carlos”, com mais de um Século de história conseguiu, não é pra qualquer um, e o invejável quadro de saúde que o mesmo apresenta, indica que na próxima eleição teremos um eleitor em Camocim com 106 anos de vida!
Esse registro é uma pequena homenagem que faço a esse mais que merecedor amigo da família, amigo do meu pai e... meu querido, meu velho, meu amigo Carlos Gomes de Oliveira – Carlos Salu!

Camocim Pote de Histórias / Prof.: Francisco Rocha

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tatajuba


Há aproximadamente 300 km de Fortaleza, Tatajuba é um dos últimos paraísos quase intocados pelo homem no Ceará.
Um vilarejo que parece viver constantemente sob "luz perfeita e exata", como diria Fernando Pessoa se por ali tivesse passado.
Lá dominam as casas e pousadas simples, que respiram sem a opressão dos Grandes Resorts e domínio estrangeiro, e esperamos que assim continue por um bom tempo.
Há cerca de 15 anos  os turistas que por ali passavam a caminho de Jericoacoara, encantavam-se com o lugar, e, como não havia  pousadas, os pescadores convidavam os visitantes para ficarem em suas casas, oferecendo não só o peixe frito, pescado na madrugada anterior, mas suas redes e camas - aqueles que possuíam. Vê-se aí uma pequena amostra do povo hospitaleiro que por ali vive.
Com um mar morno  que mais parece um lago de tão calmo e agradável que é, podemos passar horas avistando apenas um ou outro  pescador que passam lá longe com suas grandes redes de pesca, ou os carros que fazem o translado Camocim-Jericoacoara. Difícil é entrar nesse mar maravilhoso depois de uma noite ouvindo as histórias de tubarões do ex-pescador Sr. Manuel, dono da Pousada Brisa do Mar.
Depois de um fim de semana maravilhoso no local, com longas caminhadas matinais, banhos maravilhosos no mar, tardes inteiras na Lagoa da Torta, comendo o melhor camurupim e camarão à alho e óleo do Ceará na pousada do Sr. Manuel, a segunda-feira amanhece um dia nublado e triste, enquanto esperamos o carro de horário do Carlinhos, para ir embora. Jeri parece um grande e caótico centro urbano comparado a Tatajuba, e rezamos para que não tenha vaga nos ônibus só para podermos voltar ao paraíso.
Mas eis que, como nós, ninguém quer ir embora da região, e temos um ônibus vazio, com várias poltronas e não podemos enganar  nossa consciência por mais tempo - o trabalho nos chama.
Como Chegar
 Há dois caminhos para chegar a Tatajuba, por Camocim e por Jericoacoara, vale acrescentar dois lugares belíssimos.
Se você escolher por Jericoacoara, vá às agências da Redenção, presente em todas as rodoviárias de Fortaleza, na passagem já está incluso o transporte de Jijoca a Jericoacoara. Na agência você também pode fazer reservas para pousadas em Jeri. Ao chegar a Jericoacoara você pode alugar um buggy ou ir nos carros de horários.
Abaixo você encontrará os telefones necessários.
Por Camocim o trajeto é praticamente o mesmo, você compra a passagem nas agências da Guanabara ou Ipu Brasília, na rodoviária, lá chegando você também pode alugar o buggy ou ir nos carros de horário.

Eu aconselho:
Vá por Jericoacoara, a viagem é muito mais agradável, passe um dia visitando as belezas de Jeri. De lá pegue o carro de horário do Carlinhos, ou de algum outro camarada, é só perguntar que os moradores te falam onde encontrar. O carro de horário é muito mais barato e tão confortável quanto o buggy. Passe o fim de semana em Tatajuba, de lá siga para Camocim, também de carro de horário ou buggy, conheça a Ilha do Amor, Maceió, Olho D’água, Barra dos Remédios, e de Camocim você tem a opção de voltar para Fortaleza ou seguir para o Piauí, que é bem pertinho.
  
Translado Jeri-Tatajuba-Camocim:
Carlinhos - (88) 88115651
 Redenção:
(85) 3274-1274
 Guanabara:
(85) 4005-1992

Onde Ficar
 Das três pousadas existentes, aconselho a Brisa do Mar, do Sr. Manuel, pois além de ser à beira-mar, é simples, muito agradável, e tem uma comida muito boa. As outras duas são A Verde Folha, do Sr. Carlos, também belíssima, e a Santa Maria, do Sr. Miguel.
 Pousada Brisa do Mar:
Sr. Manuel - (88) 99615439
 Pousada Verde Folha:
Sr. Carlos -   carlos@verdefolha.com
                    injo@verdefolha.com
 Pousada Santa Maria:
Sr. Miguel - (88) 99036330

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Praia do Maceió




"No verão, muitas vezes, o leito da estrada é soterrado pelas areias das dunas que dificultam o tráfego de veículos e dos próprios moradores. Para muitos deles, este é um sério problema que também impede o desenvolvimento do turismo no Maceió. Mas, a questão é polêmica. Há nativos e visitantes que discordam do asfaltamento da estrada e defendem a sua permanência em leito natural, com a devida manutenção na alta estação turística.
A Vila da Caucaia é a porta de entrada do Maceió. É nela onde se inicia o calçamento e um conjunto de casas enfileiradas que mudam a paisagem natural predominante. A vila de casas (antes padronizada) foi doada pela Prefeitura aos pescadores, em 1985, quando a barragem do lago Boqueirão (construída em 1982 nas proximidades do Maceió) não suportou o represamento de um forte período de chuvas, transbordando suas águas para as adjacências. Muitos pescadores tiveram as moradias destruídas, levando a Prefeitura a recorrer à Caixa Econômica Federal para financiar um Conjunto Habitacional (COHAB) com 40 casas onde hoje se situa a Vila da Caucaia.
No entanto, a falta de fiscalização da Prefeitura sobre estas doações facilitou que alguns nativos desvirtuassem a finalidade do benefício e vendessem as casas a visitantes que as transformavam em segundas residências. Com o dinheiro da venda, os pescadores adquiriram um novo imóvel na sede ou construíram casas mais amplas no Maceió, em terrenos mais distantes das áreas alagáveis".

Fonte: ASSIS, Lenilton Francisco de. ENTRE O TURISMO E O IMOBILIÁRIO: velhos e novos usos das segundas residências sob o enfoque da multi-territorialidade - Camocim/CE. P. 196. Camocim Pote de Histórias.